Arranje uma boa ideia. Dessas que nascem nos prados viçosos, um pouco
bucólicos até, da nossa mente. Estenda-a, à maneira antiga, sobre uma folha de
papel e deixe-a libertar os seus sucos, os seus veios, as suas infinitas
possibilidades. Remova cuidadosamente o excesso, os nervos, as inseguranças
iniciáticas. Repita a operação e certifique-se de que não resta nada. Ficará
com uma ideia limpa como o Egeu em Junho.
Permita
que repousem, o escritor e o seu texto.
Retome em seguida a preparação. Ao texto,
tempere-o, adicione-lhe contraste, fluidez, variações, ritmo, o inesperado. Menos
quando pode juntar mais. E não revele, sugira. Verá como o apetite bem treinado
do leitor logo imaginará todo o bom sabor dos vocábulos, das frases suculentas
e do remanescente que fica por dizer. Ligue tudo e deixe maturar. Finalize com um
toque pessoal e lembre-se: não há receitas para um bom texto.
Sirva a apreciadores da perdida
arte de ler e outros comedores de palavras.
