terça-feira, 13 de setembro de 2016

Receita para um bom texto



Arranje uma boa ideia. Dessas que nascem nos prados viçosos, um pouco bucólicos até, da nossa mente. Estenda-a, à maneira antiga, sobre uma folha de papel e deixe-a libertar os seus sucos, os seus veios, as suas infinitas possibilidades. Remova cuidadosamente o excesso, os nervos, as inseguranças iniciáticas. Repita a operação e certifique-se de que não resta nada. Ficará com uma ideia limpa como o Egeu em Junho.

Permita que repousem, o escritor e o seu texto.

Retome em seguida a preparação. Ao texto, tempere-o, adicione-lhe contraste, fluidez, variações, ritmo, o inesperado. Menos quando pode juntar mais. E não revele, sugira. Verá como o apetite bem treinado do leitor logo imaginará todo o bom sabor dos vocábulos, das frases suculentas e do remanescente que fica por dizer. Ligue tudo e deixe maturar. Finalize com um toque pessoal e lembre-se: não há receitas para um bom texto.

Sirva a apreciadores da perdida arte de ler e outros comedores de palavras.

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